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A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é uma doença caracterizada pela obstrução recorrente da via aérea durante o sono levando a queda da saturação de oxigênio sanguíneo e despertares frequentes. Devido a sua grande prevalência em diversas populações – alcançando 32,9% das pessoas que moravam em São Paulo em 2007 – e suas sérias consequências para seus portadores, a AOS é considerada um problema de saúde pública que, se não tratada, pode causar inúmeros prejuízos, incluindo sonolência excessiva com aumento do risco de acidentes, cansaço, perda da qualidade de vida, sono de má qualidade, perda de memória, diminuição da libido e impotência sexual, além do aumento de risco ou agravo de doenças cardiovasculares e metabólicas.
Infelizmente, 80 a 90% das pessoas permanecem sem o diagnóstico da doença devido ao pouco conhecimento, inclusive dos médicos, como também a má percepção dos pacientes sobre os sinais da AOS e, ainda, a dificuldade de acesso aos métodos diagnósticos. No Brasil, essa realidade não difere de outros países, mas se apresenta ainda pior devido à falta de condições socioeconômicas e políticas de saúde adequadas.
O cenário se agrava quando falamos do tratamento da AOS. O uso de uma máscara nasal, acoplada ao aparelho de pressão positiva aplicada durante a noite (chamado de CPAP) é considerado o tratamento mais eficaz, principalmente para os casos graves e em pacientes de risco, como condutores de veículos, operadores de máquinas e portadores de doenças cardiovasculares prévias. Infelizmente, na maioria dos centros de atenção à saúde no país, o paciente tem muita dificuldade em ser diagnosticado e, mesmo após o diagnóstico, permanece sem tratar a AOS, já que o aparelho de CPAP não é disponibilizado pelo governo de forma uniforme e adequada.
Nesse sentido a Associação Brasileira do Sono (ABS) e a Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) organizaram no dia 23 agosto de 2014, em São Paulo, o 1º Fórum de Atenção à Apneia Obstrutiva do Sono com apoio da empresa Phillips. Profissionais médicos de diversos Estados da Federação que atuam em Medicina do Sono e que estão inseridos no Sistema Único de Saúde (SUS) participaram do evento, onde foram discutidas as diversas maneiras de atendimento da AOS pelos governos municipais e estaduais.
Assim, apresentamos o documento final que resume as informações obtidas nesse Forúm, bem como as medidas necessárias para que o tratamento da AOS possa  ser oferecido de forma gratuita e sem restrição.
Contamos com sua colaboração no sentido de unir-se à ABS e à ABMS nessa campanha que, mais do que justa, é humanitária.
Atenciosamente,
Diretoria da ABS e ABMS